Cósmico

   Estive contemplando as estrelas, e o brilho único de cada uma. Ao longe, estava uma estrela solitária, reluzente. Seu forte brilho me encantava, por isso decidi ir atrás de sua luz, porém no caminho haviam outras estrelas que, de uma forma ou de outra, tornavam-se obstáculos na minha busca contínua por sua resplandecência. O caminho aparentava ser longo e, como uma ponte que se quebra no mais falho pisar, eu agora me via caindo rumo à escuridão, ao nada.
   Permaneci nessa constante queda por um longo tempo, até que você surgiu, como um cometa que traça uma rota sem avisar. A sua forte luz clareou o meu redor. Em um momento você permaneceu parado, deixando que o encanto de seu brilho me envenenasse ao mesmo tempo que aquecia o sangue que corria frio em minhas veias. Você foi meu salvador, tornou-se a minha luz e também o calor que me mantém vivo. Você é o meu sol.

Eduardo Israel

A lua sorriu pra mim

Contando as estrelas que enfeitavam
O céu outrora diurno
Senti falta dos sorrisos que contagiavam
Até mesmo o horário noturno.

Explorando entre as estrelas a imensidão
Notei o mais gracioso sorriso lunar
Mesmo que bordado com a escuridão
Merecia o mais profundo admirar.

Seu brilho iluminava meu rosto
Guerreira das trevas sem fim
Parei para observar deveras com gosto
A lua sorriu pra mim. 

Eduardo Israel

O meu coração alcança aonde a mente consegue ver.

Eduardo Israel

Afogando-se

   Quando percebi, já estava me afogando em um mar de angústias e fraquezas. Meus movimentos, por mais valentes que fosse, não seriam capazes de me salvar. O ar agora fugia de meu corpo, dando lugar ao desespero. Ainda assim continuei lutando, usando o restante de fé que eu ainda possuía, porém, uma hora o corpo cansa. Deixei então que as águas me engolissem. Quando tomei esta opinião, eis que você surgiu, como o primeiro raio de sol que ilumina a madrugada. Sua voz amansava minh’alma, e apenas a simplicidade de seu toque era capaz de me destruir por dentro. Você me agarrou e puxou para fora d’água, salvando não apenas a minha vida, mas também as minhas esperanças de que um dia tocaria o teu pálido rosto com a certeza de lhe possuir. E mesmo que você não tivesse me salvo, apenas a chance de poder ver o teu sorriso o teria feito.

Eduardo Israel

Medo de Sonhar

Antes o medo assombrava meu quarto
Ambiente escuro iluminado pela luz do luar
Porém desde que tomei coragem de encarar algum fato
Passei a ter medo também de sonhar

A escuridão oculta o que meus olhos não querem ver
O silêncio esconde ruídos que meus ouvidos não querem ouvir
Em meio ao desespero é difícil perceber
Que as figuras assombrosas que eu imagino podem inexistir

Nos meus sonhos procuro uma saída
De todos os monstros que no escuro me perseguem
Um refúgio para uma mente enlouquecida
Até no prazer de meu sono estas bestas aparecem

O medo tomou conta de minha mente
Meu verdadeiro refúgio tornou-se o acordar
Meu pior inimigo é o coração, que sente
Pois sentindo, tenho medo também de sonhar

Eduardo Israel

A guerreira

   Harry desceu as escadas e encontrou Hermione, chorando. Sentou ao seu lado em um dos últimos degraus e a consolou. As paredes de Hogwarts traziam um aspecto obscuro à cena, porém não estranho ao momento. Pobre garota, pensei, mal sabe que seu amado a ama. Poxa, lembro-me desses três bem criancinhas quando eu tinha em torno de uns oito ou dez anos. Pareciam menores que eu, e agora são mais velhos também. Harry Potter era e ainda é um dos únicos filmes que consegue prender a minha atenção, do começo ao fim, de uma maneira assustadora. Toda essa história de magia me encanta, e acho que ter acompanhado não apenas a vida dos três atores, mas também dos três personagens, enfatiza essa concentração.
   Enterrado em meio à dois cobertores, apreciava o filme no conforto único que apenas a minha casa consegue me oferecer. Atchim! Saúde para mim. Não há resfriado que resista a um filme, acompanhado de um ambiente escuro e quente. Fazendo-me companhia estavam minha gata e a minha vó. Ambas cobertas no sofá vermelho estampado com manchas amareladas, creio que tão confortáveis quanto eu.
   Decido dar uma olhada no rosto de minha vó e vejo que ela havia dormido. Seu rosto coberto com algumas marcas da idade e feições delicadas estava bordado com o cobertor felpudo, parecendo realçar-lhe o sono. Comecei a pensar na vida que ela afirma ter levado, no quanto trabalhou enquanto criança para conseguir um pouco de comida. Mesmo com um ar de rejeição, eu sabia que esses fragmentos que ela costuma compartilhar de sua vida são verdadeiros. Mentalmente, montei uma das cenas de sua infância. Misturando pobreza, medo e suspense, creio que pude ter uma noção do que ela um dia sentira, porém sei que tais sentimentos e emoções, só podem ser sentidos em sua forma crua por quem vivenciou o momento.
   Uma breve comparação entre nós foi inevitável. Aqui a minha concentração no filme já não mais existia, e seu sabor havia perdido a intensidade. Pus-me a pensar e refletir sobre o quanto esta guerreira a qual chamo de vó batalhou durante sua vida para chegar aonde queria, para vencer. Como um livro, folheei sua vida, revendo parte por parte, até chegar no momento de sua gravidez. Existe algo mais belo do que a mãe que batalha pela vida do filho, pondo de lado, por vezes, a própria? Quantas humilhações, afinal, você já não deve ter aguentado, quantos problemas, daqueles parecem querer nos destruir, a senhora já não deve ter enfrentado? E nem por isso desistiu, pelo contrário. Como sou ingrato e estúpido, pensei. Em meio a tantos fragmentos e reflexões rodeando a minha cabeça como luas, uma das certezas que pude ter foi que, comparado à ela, desconheço o sofrimento.

Eduardo Israel

D’outro lado do espelho

   Abri meus olhos e vi o cenário harmônico de meu quarto entrelaçado com uma cena de terror: a luz selênica atravessava a janela, estampando um quadrado iluminado no chão. Os frequentes estalos nos móveis aguçavam a minha crença de que espíritos estivessem vagando por ali zombando de mim, dando luz a meu medo. O sol logo irá nascer, preciso apenas manter a calma e acreditar que eles são só frutos de minha mente, pensei, tentando tranquilizar-me. Peguei meu celular sobre a estante de vidro para olhar as horas; cinco e oito da manhã. Não havia outro jeito, eu teria de levantar, mesmo que o meu primeiro bom dia tivesse de ser a algum espírito andarilho que estivesse por perto.
   Estufei meu peito de coragem, tentei acalmar-me mais uma vez e levantei. Caminhei em direção à uma das paredes, com as mãos esticadas para frente tentando achar a porta. Quando a encontrei, apalpei sua madeira, guiando-me por entre os detalhes até a maçaneta. Localizando o interruptor, acendi a luz; agora era eu e só, nada de espíritos ou assombrações da madrugada. Estiquei-me e cocei os olhos, tirando aquela poeirinha que João Pestana insiste em por nos olhos das pessoas todas as noites.
   Abri a porta do guarda roupas, peguei o uniforme que parecia mais limpinho e o separei. Escolhi uma calça que eu achasse que iria me sentir bem, meu All Star preto de cano alto e meias pretas. Ah, meias pretas não podem faltar nunca, são essenciais para mim. Fechei a porta do guarda roupa e joguei tudo o que havia selecionado em cima da cama. Tirei a camisa e a joguei em cima da estante de vidro. Andei até a cama para pegar meu uniforme azul escuro, porém aquele menino de aparência magrela chamou-me a atenção. Parei por alguns instantes e fiquei ali, observando-o.
   O garoto estava cheio de cortes e cicatrizes, aparência depressiva e cabelos bagunçados. Em uma de suas mãos segurava uma faca, cuja lâmina possuía um tamanho consideravelmente grande. Dei três passos em encontro ao espelho, porém hesitei em continuar. Examinei-o dos pés a cabeça; vestia as mesmas roupas que eu, e também estava sem camisa, o que deixava ainda mais à mostra os cortes perpendiculares às cicatrizes. O menino não mexia-se, nem mesmo seu peito parecia estufar para respirar, se é que este o fazia.
   Durante um longo tempo fiquei ali, parado, observando o garoto e suas diversas marcas. Parecia coleciona-las, talvez gostasse de sentir a dor. Ora, quem feriu-lhe o corpo? Perguntei, curioso e insatisfeito. Foi você mesmo quem fez isso, disse o menino, imóvel.

Eduardo Israel

Broken - Seether feat. Amy Lee (with lyrics) (by RSyamuhutRS)

   Não é sobre desenhar, cantar ou escrever de uma maneira que agrade aos outros. É sobre desenhar o que você sente, exprimindo no papel as cores as quais você se identifica naquele momento, cantar permitindo que os outros vejam detalhadamente o que sente ou apenas para extravasar de vez em quando, passar para o papel não apenas letras, mas uma parte dos seus sentimentos, registrando-os ali para quando você novamente o ler, orgulhar-se por ter escrito algo oriundo do seu interior, independente da opinião alheia.
   Afinal, cantar todos sabem. Desenhar e escrever, idem. O problema é que as pessoas tornam-se parasitas da ideologia vulgarizada de que fazer algo bem é agradar a maioria primeiro, e não a si.
   Se dizem que seus desenhos são ruins, sem nexo e você desenha apenas “homens de pauzinhos”, se para eles sua voz é horrível e consideram-te desafinado, ou ainda se teus textos não os agradam, e daí? O importante é cantar e soltar a voz, rabiscar uma folha inteira se for preciso ou enche-la de frases sem nexo. Afinal, não precisa ter sentido para os outros quando uma folha rabiscada para você é uma obra de arte.

Eduardo Israel
   

Saudade ligeira de ser uma criança
Saudade do dia em que tu pra mim sorriu
Saudade de não haver tanta desconfiança
Saudade de um amor que nunca existiu.

Eduardo Israel